sábado, 13 de outubro de 2018

Museus a Céu Aberto e Outras Culturas: A Melhor Viagem que já fiz! - Parte 2

Academia de Atenas

No post anterior contei um pouco sobre a primeira parte de uma viagem que fiz há uns meses atrás.  Falei um pouquinho sobre como foi conhecer  as super encantadoras Veneza e Florença. Também mencionei minha passada rápida por Pisa, e as minhas "turistadas", super instrutivas, por Roma. Por último,  comentei um pouquinho sobre meu passeio rápido, mas super "breathtaking", por Capri, passando por Napoli.

Depois da Itália fomos para Grécia, visitando várias ilhas gregas, e também as ruínas de uma antiga cidade grega na Turquia, Éfeso. Nesse post pretendo comentar uma pouquinho sobre essa parte da viagem. 

Atenas 

 

Atenas, outro berço da civilização ocidental (assim como Roma).

Centro de Atenas
Acrópole ao fundo
Nossa viagem pela grécia começou (e terminou) nessa que é uma das cidades mais antigas do mundo.  É muito surreal andar por algumas das ruas de Atenas, com construções e ruínas de construções tão antigas que você sente como se tivesse voltado muiito no tempo. Mas então você olha para o outro lado da rua, cheio de prédios modernos, e percebe que a própria cidade é uma espécie de museu, que intercala peças muito antigas com construções modernas . Um ótimo exemplo é essa região em que tirei a primeira foto da direita. Se vocês prestarem bem atenção (ampliar a foto também ajuda XD) é possível ver as ruínas da Acrópole de Atenas ao fundo. Além disso, a arquitetura usada na construção de diversos prédios em Atenas segue um padrão antigo, mesmo quando essas construções não são tão antigas. Na primeira figura à esquerda, por exemplo, é possível ver parte da famosa trilogia neoclássica, formada pela reitoria da Universidade de Atenas (prédio da esquerda), a Academia de Atenas (à direita, na foto da esquerda, e mais detalhadamente na foto abaixo), e a Biblioteca Nacional da Grécia (segunda foto abaixo).   Aquele "morro" que aparece lá atrás é o famoso Monte Licabeto. A vista de lá deve ser maravilhosa, mas infelizmente não tivemos tempo de conhecer.
Academia de Atenas




O hotel em que ficamos hospedadas fica próximo a todos esses prédios. Imagina a minha empolgação ao dar de cara com a biblioteca nacional da Grécia "na porta" do hotel . Agora imagina a minha decepção ao descobrir que ela estava fechada, em processo de transferência para outro lugar. Mais uma biblioteca que não consegui visitar...mas a simples oportunidade de admirar a sua arquitetura já valeu a pena. 
Biblioteca Nacional da Grécia

Se não bastasse a concentração de prédios que remetem ao passado na região, as ruínas do Templo de Zeus Olímpico também ficam por ali. Esse templo, dedicado a Zeus (obviamente), começou a ser construído no século 6 a.C. Essas colunas sobreviveram mais de 2500 anos!!!

foto da Wikipédia porque não tirei uma decente...

 E já que estamos falando de ruínas suuper antigas, voltemos à famosa Acrópole de Atenas, a Acrópole mais famosa do mundo. 

Acrópole de Atenas
Acrópoles, na Grécia antiga, eram cidades construídas em lugares altos e fortificados, a fim de dificultar ataques inimigos. Posteriormente também passaram a ser usadas como sedes religiosas e administrativas. A acrópole de Atenas, por exemplo, concentra ruínas de diversas construções que datam de ~450 a.C, como o Partenon (essa estrutura com colunas que aparece no canto inferior esquerdo, na colagem acima), que era um templo dedicado à deusa grega Atena, o Propileu (principal foto na colagem acima), que era a "porta de entrada" da acrópole, o Erecteion (essa estrutura que aparece na foto do meio, na parte de baixo da
Odeão de Herodes Ático
colagem acima) que era um templo dedicado à Atena e a Poseidon, e o Odeão de Herodes Ático (essa foto da esquerda), que era um teatro e ainda hoje sedia eventos como shows. Inclusive, quando visitamos a acrópole, tinha uma galera preparando o lugar para um show (dá pra ver na foto alguns equipamentos espalhados), passando o som, etc.  Esses são apenas alguns exemplos das construções e ruínas encontradas na acrópole de Atenas, mas há ainda muitas outras que não comentei aqui, pois a região é consideravelmente extensa e a viagem não parou por aí. A Grécia está cheia dessas "peças de museu" ao ar livre, e em uma viagem rápida não dá tempo de apreciar tudo com calma. Mesmo assim, a experiência é fascinante.

  Corinto

 

Um pouco antes de voltarmos para o Brasil, quando ainda estávamos em Atenas, demos uma passada rápida por uma cidade famosa que fica perto de Atenas, Corinto. Há alguns pontos turísticos bem interessantes lá. O primeiro lugar que visitamos foi o super ultra lindamente maravilhoso Canal de Corinto, uma obra de engenharia fenomenal, construída entre 1881 e 1893 (embora diversos imperadores e generais tenham tentado muito antes disso, como por exemplo um tirano chamado Periandro, por volta de 630 a.C, Demétrio I da Macedônia, no século 3 a.C, e o imperador romano Nero, no ano 67 d.C ).  Esse canal, que tem mais de 40 metros de altura e 6,3 km de comprimento,  divide a Grécia continental e o Peloponeso, ligando as águas do Golfo de Corinto com o mar Egeu. O vídeo a seguir, dá uma idéia de quão impressionante é esse canal. É muito legal atravessar essa região e observar as estruturas rochosas expostas  nesses paredões.
Corinto também possui uma acrópole, o Acrocorinto, e um sítio arqueológico  que inclui ruínas a céu aberto e um museu. O acrocorinto pode ser visto a partir desse sítio arqueológico, no topo daquela montanha que aparece na colagem abaixo. Aquelas colunas que aparecem no canto inferior esquerdo fazem parte das ruínas do templo de Apolo.

Sítio arqueológico de Corinto e Acrocorinto



Embora a nossa visita a Corinto tenha sido rápida e de última hora, foi muito interessante conhecer de perto esse pedaço da história. O museu tem muitas peças interessantes, relativas a diversas partes da história de Corinto. Coloquei apenas algumas na colagem abaixo, para dar um gostinho para vocês. 
Museu de Corinto
A dúvida que fica é o que acontece se você piscar quando estiver sozinho com essas estátuas sem cabeça que aparecem na segunda foto, bem em cima...será que a ausência de cabeças faz alguma diferença? Deixo a questão para os Whovians de plantão... XD

 

Mikonos

 


  Uma das ilhas gregas que visitamos bem rapidamente foi Mikonos, que é uma ilhazinha pequena e simpática. Tanto Mikonos, como diversas outras ilhas gregas têm uma marca registrada que é o uso de jegues como meio de transporte.  Outra característica marcante são as casinhas brancas e igrejinhas fofas da religião Ortodoxa grega (não lembro de ver igrejas de qualquer outra religião na Grécia). Além disso, não posso deixar de mencionar que nessa ilha encontrei o melhor sorvete que já comi na vida, e não sei nem que sabor era aquele. Apenas sei que era um sabor grego típico, mas não encontrei o mesmo sabor em nenhuma outra ilha. Restaram apenas as lembranças desse amor perdido. :-p


Rodes 

 

Rodes é famosa pelo Colosso de Rodes, que era uma estátua construída em homenagem a Hélios, o deus-titã do sol, e foi umas das sete maravilhas do mundo. Essa estátua tinha as proporções da Estátua da Liberdade e foi destruída por um terremoto em 226 a.C. Essa ilha é cheia de fortificações e muralhas, construídas pelos Cavaleiros Hospitalários na época em que Rodes foi comprada por essa organização, no século 14, e usada como base militar.
 Outras características, que essa ilha compartilha com outras ilhas gregas, são a presença de gatos e oliveiras por toda a parte 💖.

 

 

Santorine

 

Santorine é uma ilha bastante peculiar. A principal região habitada fica na parte mais alta da ilha. Para chegar lá você precisa ou usar uma funicular, ou então subir (a pé ou de jegue) aquele zigue-zague que aparece mais à esquerda ali na foto.

Passamos muito rapidamente por essa ilha, mas foi o suficiente para que eu me apaixonasse pelas vistas incríveis e pela simpatia da ilha. Deixo aqui algumas fotos que tirei desse lugar incrível.

Patmos

 

Foto que roubei daqui
 Patmos é uma ilha bem famosa por ter sido o local em que o apóstolo João ficou exilado. Essa ilha era usada como uma espécie de prisão pelo Império Romano, e ficava socialmente bastante isolada. Portanto, um dos pontos turísticos históricos dessa ilha é uma caverna onde acredita-se que João tenha escrito o livro do Apocalipse (essa da foto à esquerda, que achei na internet, já que é proibido tirar fotos lá dentro). Essa caverna é conectada ao Mosteiro de São João o Teólogo, que é um mosteiro ortodoxo grego. Esse mosteiro contém um museu bastante interessante, além de um gato que não liga pra ninguém porque ele sabe que é melhor que todo mundo (ver foto abaixo XD)...
Mosteiro de São João, o Teólogo

 

Creta


Creta é a maior ilha grega, famosa pela lenda do Minotauro, uma mistura de homem e touro que se escondia em um labirinto construído pelo lendário rei Minos, de Creta. Inclusive o nome do mar Egeu está conectado com  essa mitologia. Conta a lenda que o Minotauro aterrorizava a população e então o príncipe Teseu, filho do rei de Atenas, Egeu, se propôs a matá-lo. O combinado era que, caso ele tivesse sucesso, ao retornar de navio levantaria uma bandeira branca para que o rei Egeu soubesse que a missão tinha sido bem sucedida. Teseu então conseguiu matar o minotauro, mas no retorno para Atenas esqueceu de levantar a bandeira. O rei Egeu, vendo o navio, mas não a bandeira, acho que Teseu havia morrido, e no desespero se jogou no mar, morrendo afogado. O mar teria então passado a se chamar Egeu.

Acredita-se que o labirinto da lenda do minotauro se localize nas ruínas de Cnossos, um dos principais pontos turísticos da ilha.
Sítio arqueológico de Cnossos

Além desse sítio arqueológico, visitamos também o Museu Arqueológico de Heraclião, famoso por possuir a maior coleção de arte minoica do mundo, entre outras coisas. Uma das peças desse museu é essa maquete do Palácio de Cnossos:
 
 Coloquei abaixo algumas das fotos que tirei da impressionante coleção de artefatos que esse museu possui.


 Mas eu tenho que destacar um jogo de tabuleiro super fancy (para a época) que encontrei lá, de pouco menos de 2000 a.C!


 Essa foi certamente uma das ilhas gregas mais marcantes que visitei!

 

Kuşadasi e Éfeso - Turquia


Por fim, chegamos na Turquia pelo porto de Kuşadasi e fomos visitar as ruínas da antiga cidade de Éfeso, que já foi um importante centro comercial. A foto a seguir, por exemplo, mostra uma região que costumava ser uma espécie de "shopping center", cheia de lojas dos dois lados.

 Descendo esse caminho encontramos diversas ruínas, incluindo, por exemplo, o principal local de socialização, segundo o guia turístico:
Sim, esses são sanitários públicos unissex! Era o local para aliviar não apenas as necessidade fisiológicas, mas também as aflições da alma, conhecendo novas pessoas e colocando os papos em dia com os amigos! Isso é que é intimidade! XD

No fim daquele caminho da segunda foto ali de cima, se encontra um dos monumentos mais impressionantes (na minha opinião) de Éfeso, a Biblioteca de Celso, concluída em 135 d.C.
Essa biblioteca ficava em frente a um prostíbulo, que se conectava à biblioteca por um caminho subterrâneo. Imagino que isso deve ter favorecido o "amor aos livros" de muita gente, na época. Outro monumento bastante impressionante é esse teatro que aparece no canto superior esquerdo da colagem abaixo, que tinha capacidade para receber 25000 espectadores!



Depois de visitar a Turquia e todas essas ilhas, voltamos para Atenas e então para o Brasil. Mas essa foi, e provavelmente continuará sendo, uma das experiências mais impressionantes que já tive. E quanto aos meus sentimentos pela Grécia, simplesmente me apaixonei. Além dos lugares fantásticos que conhecemos, as pessoas são muito queridas e simpáticas, bem acolhedoras. Além disso, para quem fala inglês ou espanhol, é muito fácil se comunicar, os gregos não esperam que você saiba falar grego.

No próximo post voltamos aos assuntos habituais do blog...algum deles, anyway... XD

sábado, 6 de outubro de 2018

Museus a Céu Aberto e Outras Culturas: A Melhor Viagem que já fiz! - Parte 1

Ruínas da Biblioteca de Celso - Éfeso, Turquia

Há uns meses atrás tive a incrível oportunidade de viajar pela Itália, Grécia e um pedacinho da Turquia. Foi uma experiência completamente surreal pra mim, que nunca tinha saído do país (bom, com exceção de uma passada rápida pela Argentina esse ano, quando fui a um congresso em Foz do Iguaçu). Desde então venho querendo escrever um post descrevendo um pouquinho da viagem, mas sempre acabo esquecendo. Dessa vez vai!

Veneza


Começamos nossa viagem em Veneza, na Itália. Veneza é bastante famosa por
suas ilhas e pelos barquinhos turísticos que circulam na região. Maaas, Veneza também inclui uma região continental. Foi lá que ficamos hospedadas (como todo mero mortal que não está no nível do Elon Musk). Infelizmente não tivemos muito tempo de explorar essa região. Nossos passeios se concentraram no Centro Histórico e arredores de Veneza, onde a maior parte dos monumentos se encontra.
Praça de São Marcos, em Veneza. O Palácio Ducal é o primeiro prédio à direita, a Basílica de São Marcos é o prédio de trás, a Biblioteca Marciana é o primeiro prédio à esquerda e o Campanário de São Marcos aparece logo atrás (aquela torre alaranjada alta).
 Essa foto aí de cima, tirada na praça de São Marcos, dá uma idéia da concentração de monumentos e prédios históricos nessa região. A maior parte dessas construções é mais ou tão antiga quanto o Brasil!! Por isso acho tão surreal visitar esses lugares. Imagina quantas gerações, quantas culturas, já passaram por ali! Esse tipo de experiência acaba sendo uma espécie de viagem no tempo, o único tipo de viagem no tempo que temos acesso atualmente (pelo menos no sentido presente-passado).

Veneza também possui uma fábrica de vidro Murano, aberta à visitação. Esse tipo de vidro, que é bem artesanal e geralmente colorido, era originalmente produzido na ilha de Murano, que faz parte de Veneza.  Os vídeos abaixo, que gravei na nossa visita a essa fábrica, são uma amostrinha desta experiência hipnotizante e divertida que é assistir a manipulação de vidros em estado não sólido.  
Um fato curioso sobre Veneza é que de tempos em tempos ocorre um fenômeno chamado de acqua alta, que são inundações que acontecem por causa das marés altas. Essas inundações, que vem se tornando cada vez mais frequentes, são geralmente previstas com uma certa antecedência, e nesse caso são colocadas
pontezinhas nas regiões mais afetadas (como por exemplo a Praça de São Marcos, que é uma região de nível bem próximo ao nível do mar). Mas é claro que Poseidon resolveu abrir uma exceção, durante a nossa visita, e nos homenagear produzindo esse fenômeno fora de época (o que significa, é claro, que não havia pontezinhas)...
Resumo da história: com a água até o joelho, pudemos sentir a essência de Veneza bem mais literalmente do que esperávamos XD...

Bom, eu poderia ficar horas aqui falando sobre Veneza, sobre as charmosas ruelas, o clima simpático e aconchegante dos bares e restaurantes, sobre o romantismo que  as gôndolas deixam no ar quando passam por debaixo das pontes nos corredores aquáticos de Veneza, ecoando músicas próprias.
Mas essa viagem não parou por aí. Ficamos menos de dois dias em Veneza e a
minha única frustração é não ter tido tempo de visitar a Biblioteca Marciana, umas das maiores bibliotecas da Itália.

Três coisas para mim são muiito importantes quando visito um lugar novo: conhecer os museus locais, visitar bibliotecas (se forem históricas ou fora do usual) e visitar supermercados (cultura alimentar!). Nessa
viagem, não tive muita sorte nos dois últimos itens :-(. Mas a viagem foi fantástica anyway.     

 

 

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 Florença

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Dante Alighieri

Depois de Veneza, fomos para Florença, a cidade de muita gente importante, como Michelângelo (um dos artistas mais fantásticos de todos os tempos)  e o Leo da Vinci ❤️ (preciso fazer um post sobre ele), um dos pais da ciência (e de outras áreas também, já que ele era um "tudologista"/"generalista"). Ficamos

horas caminhando por Florença, tirando fotos e ouvindo sobre as histórias de cada monumento. Há muiitas igrejas e catedrais muito antigas e monumentais. A  Piazza San Giovanni concentra alguns dos prédios mais monumentais que vi em Florença. Nessa última foto aqui da direita, por exemplo, é possível ver o Batistério de São João (esse prédio exagonal), que é um dos prédios mais antigos de Florença, tendo sido contruído no século XI.
Ponte Vecchio
 E é claro, não posso deixar de falar da Ponte Vecchio, a ponte mais antiga de Florença, construída em 1345 (a última versão), que atravessa o rio Arno. A vista de lá é fantástica! Um fato interessante é que ela foi a única ponte de Florença a não ser destruída pelos alemães na segunda guerra mundial.

 

 

 

Pisa

 

Pisa, a cidade de outro pai da ciência, Galileu Galiei.

Saindo de Florença e a caminho de Roma, demos uma passada muito rápida na Piazza dei Miracoli (Praça dos Milagres), onde fica a torre de Pisa. Há vários prédios monumentais lá, infelizmente não tivemos tempo ($$) para entrar em nenhum. A praça é bem engraçadinha, e os prédios são impressionantes mesmo vistos de fora.

Andando um pouquinho por essa praça e arredores, descobri que há uma faculdade lá, a faculdade de medicina e cirurgia da universidade de Pisa, algo que achei interessante. Melhor que isso, só se fosse uma faculdade de Física XD. Imagina estudar/trabalhar numa universidade ao lado da torre de Pisa... 


Roma


Fontana di Trevi - Roma (fonte dos desejos)
Roma, um dos berços da civilização ocidental.

Como é de se esperar, há uma infinidade de  lugares com muita história para conhecer lá. Museus, prédios históricos, praças, monumentos, catedrais e, é claro, um país inteiro, o Vaticano. Ficamos por lá por mais tempo do que em qualquer outro lugar, e mesmo assim faltou conhecer muita coisa. Pode não ter sido o lugar mais divertido que visitamos nessa viagem, mas foi um dos mais interessantes, em termos de riqueza histórica. Os principais monumentos de Roma ficam no Centro Histórico, que é também um dos lugares mais caros para se viver.
No primeiro dia em Roma, passamos horas turistando pelo centro histórico e aprendendo um pouquinho da cultura local e da história por trás dos monumentos. Um desses monumentos é essa fonte do desejos, a Fontana di Trevi,  que já foi cenário do filme A Doce Vida, dirigido por  Federico Fellini. Existe, obviamente, uma tradição de se jogar uma moeda nessa fonte e fazer um desejo. Em 2016 as moedas da fonte foram recolhidas, somando um milhão e meio de euros. Curiosamente, esse dinheiro foi doado para projetos de beneficiência, e provavelmente pôde satisfazer os desejos de muita gente. Talvez não os desejos de quem jogou a moeda, mas pelo menos algo positivo saiu dessa tradição.

Panteão
Templo Adriano
 Outra construção monumental famosa é o Panteão (que é o prédio com colunas gigantes que aparece no vídeo ali em cima), construído originalmente entre 27a.C e 25a.C. Um fato interessante é que esse prédio é cheio de furos, assim como o Templo Adriano (construído em 145d.C) e o Coliseu (construído entre 72 e 80d.C), entre outros.
Coliseu
Isso por que originalmente esses prédios eram revestidos de mármore, que ficava preso por grampos de metal. Com o tempo essas estruturas foram se deteriorando e o mármore saqueado, restando apenas os furos.

Interior do coliseu
Bom, já que mencionei o Coliseu, vamos falar um pouquinho mais sobre essa estrutura suuper famosa. O Coliseu é o maior anfiteatro já construído na face da terra! Boa parte dele não existe mais (na foto ali em cima à direita dá pra ver que está faltando uma camada de fora). Uma curiosidade interessante é que dentre as diversas atividades já realizadas nesse anfiteatro, era possível realizar simulações marítimas ali!!! Sim, isso mesmo! ENCENAÇÔES MARÍTIMAS COM ÁGUA DE VERDADE DENTRO DO ANFITEATRO! Pera, deixa eu me recompor...ok, continuando...Isso por que era possível inundar  a arena através de túneis e celas subterrâneos (aquela região em que se acredita que os gladiadores permaneciam logo antes de entrarem para lutar).  Pelo menos alguma das atividades que eles faziam ali era suuper cool...

Basílica de São Pedro
Além desses prédios monumentais famosíssimos, Roma também possui um país inteiro no seu interior, o Vaticano. Dentro do Vaticano há, obviamente, uma super concentração de prédios religiosos ultra  monumentais, como a Basílica de São Pedro (o maior prédio católico,  cheio de obras de arte, incluindo trabalhos de Michelângelo) e os Museus do Vaticano, onde fica a impressionante Capela Sistina, que foi baseada na descrição bíblica do templo de Salomão. Infelizmente, é proibido tirar fotos dentro da Capela,
Teto da Capela Sistina
Pintura de Michelângelo 3D
mas é nela que se encontra uma das mais impressionantes pinturas feitas por uma única pessoa. A pintura foi feita no teto da Capela por Michelângelo (a contra-gosto) e é completamente incrível! Michelângelo é também autor de muitas outras obras expostas no complexo de museus do vaticano. O interessante é que, como ele se considerava muito mais um escultor do que um pintor, algumas de suas pinturas criam ilusões de óptica, dando a sensação  de serem esculturas 3D.
Bom, é possível ficar horas andando dentro do complexo de museus do vaticano, admirando a quantidade absurda de obras artísticas fantásticas, que preenchem cada centímetro desses prédios. Mas deixo aqui apenas um gostinho dessa experiência. O vídeo ali em cima mostra um dos muiitos corredores dos museus.


Nápolis e Capri


Capri
Por fim, visitamos muito rapidamente Capri, que é uma ilha lindíssima perto de Nápolis. Infelizmente, não chegamos a conhecer Nápolis como eu gostaria, ou se quer comer a famosa pizza napolitana, mas valeu a pena conhecer Capri. O que mais chama a atenção são as paisagens fantásticas e a cor maravilhosa do mar. Aqui, os monumentos são as paisagens, esculpidas por diferentes fenômenos naturiais.


E assim termina a nossa viagem pela Itália. A próxima parada é a Grécia. Mas isso fica para o próximo post. :)

sábado, 22 de setembro de 2018

A Filosofia e a Matemática



 Vou ter que ser sincera com vocês, esse post é na verdade uma desculpa pra postar o vídeo da música que a minha querida irmã gêmea, Aline Lütz, compôs e gravou, sobre filosofia e matemática... \o/


Maaaas, esse vídeo nos dá uma excelente oportunidade para discutir umas questões que considero bem importantes, mencionadas na letra da música. A Aline escreveu essa música com base nesse conto, escrito pelo excelentíssimo senhor meu pai, Eduardo Lütz. A idéia foi criar uma analogia para explicar os fundamentos da filosofia e da matemática, aproveitando para questionar o modo como muita gente enxerga essas coisas. O conto original basicamente retrata a origem do método científico e de uma série de filosofias (dica: Natan representa um físico famoso, e Dórian um biológo famoso XD ). Na analogia, Filosofia é o nome de uma espécie de vilarejo. As pessoas que moram ali, acreditam que não existe nada além de Filosofia. Assim, todos os fenômenos observados ali dentro são considerados parte da Filosofia. Um desses fenômenos é a presença de água em poços que foram cavados em algum momento, muito antes da civilização atual. Essa água é chamada de matemática, mas na confusão os poços acabam recebendo o mesmo nome, matemática. Além disso, eles acreditam que os poços e a utilidade da água, a matemática, são bem limitados a certos contextos. A necessidade de beber água, por exemplo, é bem concreta, é fácil perceber a sua utilidade nesse contexto. Mas não dá pra ir muito além disso,  na opinião deles. Afinal, os poços com água são um pedacinho da Filosofia, sua utilidade deve ser limitada. No entanto, nesse vilarejo existem algumas pessoas, chamadas de exploradores, que procuram investigar a natureza da água,  qual o seu papel na manutenção da Filosofia e os limites dos poços. Esses exploradores descobrem que a água, na verdade, é o que sustenta todo o vilarejo, e que a Filosofia é apenas um vilarejo em uma barca minúscula dentro de um oceano infinito, a matemática.
 O problema é que a maior parte
das pessoas não entende em que consiste o trabalho dos exploradores. Não apenas acham que é uma perda de tempo e recursos, mas também acham absurda a idéia de que aqueles "poços com água" sejam infinitos e sustentem não apenas a Filosofia, mas infinitas outras barcas. É claro que eles não entenderam que os poços e a água são coisas diferentes. Mas essa às vezes parece ser uma barreira quase intransponível nas discussões.

Como eu mencionei antes, o conto vai mais longe do que a música e entra em uma série de outras correntes filosóficas que surgiram ao longo da evolução do conhecimento. Mas vamos nos focar na questão da filosofia e da matemática. A analogia tem a ver com uma série de questões, por exemplo, como muita gente define matemática: um tipo de linguagem. Na verdade as diferentes linguagens matemáticas, que usamos para descrever coisas, seriam equivalentes aos poços na analogia (no conto, os poços acabam abrangendo outras coisas também). Matemática então seria o que está por trás disso: características da realidade que podem ser obtidas por qualquer um com capacidade de raciocínio e experiência apropriada (ser humano ou não)  usando uma linguagem matemática qualquer. Para muita gente, porém, essa diferenciação não faz sentido, matemática é apenas outra invenção da mente humana. Nesse contexto, a filosofia passa a ser a base de tudo, é o modo como organizamos o conhecimento, e para nós humanos isso é tudo o que importa. Notem que nesse ponto a pessoa já criou toda uma estrutura mental em camadas na maneira de entender as coisas. O que eu quero dizer com isso é que as pessoas armazenam mentalmente diversas idéias sobre a realidade, e essas idéias vão formando camadas de dependência (a idéia de que a filosofia é mais geral do que a matemática, por exemplo, é uma consequência da idéia de que a matemática é uma invenção da mente humana, então a primeira estaria uma camada acima da segunda). Por isso discussões sobre esses assuntos costumam ser complicadas. Às vezes, escolhemos um tópico qualquer pra discutir, mas as camadas anteriores a esse tópico não são as mesmas para todo mundo (especialmente pessoas de áreas diferentes, com diferentes experiências). Esse quadrinho que coloquei num poste anterior ilustra bem isso:
Mas um ponto importante nessa discussão toda é que para muita coisa nessa vida, não precisamos ficar especulando filosoficamente sobre coisas. Diferentes argumentos têm diferentes consequências práticas. Embora muitas vezes essas consequências não sejam óbvias para todo mundo, elas não apenas existem, como inviabilizam uma série de argumentos.  Um exemplo clássico é um questionamento sobre o fato de todos os elétrons serem iguais, afinal, "você já viu todos os elétrons para saber se eles são iguais?". O problema é que se os elétrons não fossem indistinguíveis, os efeitos sobre a realidade seriam catastróficos, a começar pela química por exemplo. Se os elétrons não fossem iguais, poderiam ocupar o mesmo estado ao mesmo tempo (Princípio da Exclusão de Pauli) e elementos químicos seriam inviáveis.  Assim como nesse caso, muitos das afirmações que são feitas por aí sobre matemática não fazem sentido de um ponto de vista prático, embora as consequências sejam menos óbvias para a maioria das pessoas. E o debate continua, as always. :)

sábado, 15 de setembro de 2018

Reducionismo e Fenômenos Emergentes



Sociólogos:
Psicólogos: - sociologia é apenas psicologia aplicada
Biólogos: - psicologia é apenas biologia aplicada
Químicos: - biologia é apenas química aplicada
Físicos: - que é apenas física aplicada. É bom estar no topo... 
Matemáticos: - ah, oi gente, eu não vi que vocês tavam por aí

Nessa postagem quero falar um pouquinho sobre um tipo de abordagem que usamos o tempo inteiro em física, extremamente útil e que nem sempre  recebe o crédito merecido, o reducionismo.  De modo geral, o reducionismo é uma abordagem do tipo "Dividir e Conquistar". A idéia é que podemos pegar um problema complexo e dividir em problemas mais básicos e mais fáceis de resolver. Existem muitas maneiras de aplicar esse método, algumas delas tão inúteis que só servem de saco de pancada em textos de filosofia da ciência com um pézinho (e provavelmente o resto do corpo também) em abordagens holistas. Mas pera aí, o que é uma abordagem holista, e por que muita gente acha que ela tão melhor do que o reducionismo? Bom, holismo é basicamente o gêmeo mau do reducionismo (ou o gêmeo bom, dependendo do ponto de vista).
Se no reducionismo procuramos descrever um sistema a partir de propriedades mais elementares, no holismo consideramos propriedades do sistema como um todo, sem levar explicitamente em conta os elementos constituintes. Felizmente não precisamos ficar especulando sobre qual abordagem é melhor, podemos olhar exemplos reais de boas aplicações desses métodos. Nesse contexto, um dos melhores exemplos que conheço é o caso da Termodinâmica e da Mecânica Estatística. Esse exemplo é perfeito pra essa discussão justamente por que essas duas áreas da física usam abordagens diferentes para estudar a mesma coisa (grosso modo). Na termodinâmica, utilizamos uma abordagem holista. Consideramos propriedades globais do sistema,  como temperatura, pressão, entropia, etc, e como essas propriedades variam através de diferentes processos. Notem que essas propriedades são estudadas sem levar em conta explicitamente o comportamento das partículas que formam o sistema. No caso da mecânica estatística, esses comportamentos são levados explicitamente em conta através de teoria de probabilidades. Nesse caso, a abordagem utilizada é reducionista, e a temperatura, por exemplo, é uma propriedade emergente que surge como consequência de certos comportamentos das partículas. Aqui entramos numa outra questão importante e super legal que quero discutir nesse post, emergência.

Emergência (no sentido de algo que emerge), são padrões que surgem devido ao modo como as componentes do sistema se comportam em conjunto. A pressão, por exemplo, é uma característica que se deve às colisões frequentes das partículas com superfícies no ambiente. Ironicamente, uma das principais críticas em relação ao reducionismo afirma que propriedades emergentes são um problema nesse contexto, uma vez que essas propriedades são características globais do sistema, e como "o total é mais do que a soma das partes", não observamos essas características olhando apenas as partes. Notem que essa crítica se baseia numa idéia ingênua de como usamos reducionismo na prática (que, como frequentemente acontece com muitos outros métodos, não tem nada a ver com o que é dito em muitos livros de filosofia da ciência).
reducionismo ingênuo
Reducionismo não significa (ou, no mínimo, não tem que significar) pegar a serra elétrica, cortar o sistema em pedacinhos e esquecer pra sempre como os pedacinhos se encaixavam originalmente. A sensação que eu tenho quando vejo diferentes críticas em relação ao reducionismo é que houve um efeito de telefone sem fio aí em algum momento (que é a sensação que eu tenho quando leio certos livros de filosofia da ciência, mas acho que já ficou clara a minha opinião sobre eles, né?! XD). Diferente do que a crítica sugere, usar reducionismo não implica em picar o sistema fria e cruelmente, e sim tentar descrevê-lo a partir das componentes mais básicas, levando em conta como essas componentes interagem, se necessário ou factível for...

Voltando ao caso da mecânica estatística, por exemplo, nessa área conseguimos ir muito mais longe do que na termodinâmica justamente por levarmos em conta as componentes básicas do sistema. Não apenas reproduzimos os resultados que a termodinâmica fornece, mas conseguimos descrever aspectos que a termodinâmica não é capaz.

Num próximo post pretendo falar um pouquinho sobre uma área do meu trabalho que envolve propriedades emergentes. Até algum dia a próxima! :)