domingo, 25 de setembro de 2011

Máquina do Tempo

 "Nosso projeto original de uma máquina do tempo foi rejeitado pelo ministério de Ciência e Tecnologia. Tivemos, então, de implementá-lo com recursos próprios, com doações e recursos particulares. Em consequência, tivemos de reduzir as dimensões do projeto, sendo o projeto original abandonado e adequado às condições existentes. Resultando no aproveitamento de um grande relógio suíço abandonado. Entre outros problemas a serem resolvidos, estava o do fuso horário e a energia para mover a máquina. O primeiro foi solucionado reunindo um profuso estoque de parafusos de várias bitolas. Quanto a energia, convocamos um infectologista que criou um casal de bactérias e, após, convocamos um doutor em gramática por um preço módico (ele decidiu colaborar com tão ambicioso projeto), resolvendo o problema do seguinte modo: cortou o "c" da bactéria e retirou o acento grave do "e", resultando em duas baterias para nossa máquina.
Assim munidos dos "para" fusos e das duas baterias resolvemos estes dois problemas técnicos, entretanto, ainda restaram alguns problemas que estamos prestes a solucionar. A máquina já está funcionando em caráter experimental, um dos problemas consiste na aceleração da máquina, particularmente no que se refere à passagem de um ponteiro para outro (torque). O nosso viajante voluntário já fez alguns ensaios em viajens curtas de um ponteiro para outro. Com mais doações e colaborações técnicas e, com o passar das horas, esperamos concluir em breve nosso projeto.
"

(by Cenno Friedrich, meu querido avô, em um de seus momentos de "humor nerd" )

terça-feira, 5 de abril de 2011

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Liberte-se, use linux! =)

A Microsoft finalmente descobriu (adimitiu) que há uma falha de segurança grave no Windows, mais precisamente, no navegador Internet Explorer (como se mudar de navegador fosse tornar o sistema seguro...).

A questão é: alguém ainda não sabia disso?
Mas pode ser uma alternativa interessante, para quem gosta de viver perigosamente... :)

Porém a maior falha de segurança dos produtos da MS, na minha opinião, é o controle que eles têm sobre o usuário...

A solução para esses problemas é beeeem mais simples do que muitos imaginam: não use, substitua...

a dificuldade maior está no hábito...

sábado, 20 de novembro de 2010

Por que usar Linux? (Parte II)

  

  
o programa de avisos de erro do windows avisa também quando o programa de avisos de erro tem erro...quão confiável será essa informação? 


será que se eu escrever contratos codificados eu consigo fazer com que as pessoas assinem?? quem precisa de letras miúdas...


erro sobre erro...será que havia algum erro de fato?

erro: não ocorreu erro!
sim, isso realmente me parece um erro... =p

o dispositivo é um erro??

 sem problemas, basta teletransportar os arquivos extra para outra dimensão e pronto!
funcionou??isso não deveria ter acontecido...
melhor considerar essa possibilidade na próxima versão do programa...

aham
o windows definitivamente não entende o conceito de sucesso...

são só 127 aninhos...vai matar esperar um pouquinho??


sábado, 6 de novembro de 2010

A Mutabilidade do Método Científico

Resolvi falar um pouquinho sobre o método científico, devido a coisas que têm me feito pensar bastante à respeito...dessa vez não vou me estender muito (assim espero) até por falta de tempo...

Bom, pra introduzir o assunto, quando dizemos "O Método Científico" estamos, na verdade, fazendo referência a um conjunto de métodos de um tipo muito especial: por isso a classificação. A questão que quero analisar é: quais os tipos de critérios utilizamos para fazer esse tipo de classificação? em outras palavras,  o que diferencia estes métodos dos outros, tornando-os especiais?

Gosto muito de "raciocinar por eliminação", ou seja, analisar de que maneiras algo não pode ser feito e então verificar as possibilidades restantes. So, let's do it!

Uma característica comumente apontada como fundamental, no método científico, é a falseabilidade. Existem ao menos duas definições de "falseabilidade", as quais muitas vezes são usadas como se fossem equivalentes. São elas:
  • possibilidade de testar se algo é falso ou verdadeiro.
  • possibilidade de mostrar que algo é falso.
Embora essas duas definições se pareçam, elas contêm grandes diferenças. Eis o motivo: é impossível mostrar (consistentemente) que uma coisa válida é inválida,  dentro de seu limite de validade. Por exemplo, é impossível provar que a raiz quadrada de dois é um número racional, prova-se exatamente o contrário. Portanto a afirmação "a raiz de dois é um número irracional" não é  falseável, no sentido de ser possível demonstrar sua falsidade, e sim no sentido de ser possível demonstrar sua falsidade ou validade (validade, no caso).

A falseabilidade (como definida no primeiro item)  é importante sim no método científico, mas não é suficiente.  Como eu comentei no post anterior, a possibilidade de testar algo é altamente geral. Não há nada de muito especial nisso, a quantidade de métodos que podem ser encaixados aí é gigante, inclusive métodos com aproximadamente nenhuma  sistematização (se é que podemos chamá-los "métodos").

Bastante próxima à questão da falseabilidade, temos a questão da mutabilidade. Uma outra característica apontada como crucial, no método científico, é a possibilidade de mudanças: não há uma verdade imposta e absoluta, sempre que necessário podemos alterar os métodos e com eles  nossa visão de mundo.

Embora eu considere essa posição válida, em certo sentido, também a considero altamente perigosa, devido ao que ela pode vir a sugerir. A  possibilidade de mudar os métodos é altamente necessária. A possibilidade de aperfeiçoamento é muito importante (não apenas em ciência, mas em todas as áreas). Isso está relacionado ao fato de que ninguém tem todas as informações sobre tudo (isso não significa que não existam verdades absolutas, até porque isso é ilógico, significa apenas que nosso acesso tem limites, viéses, etc.),  ninguém pode dizer que entende tudo sobre tudo e que não tem mais nada a  aprender (o que não implica necessariamente em, a cada nova etapa, jogar fora tudo que se aprendeu na etapa anterior, embora possa ser necessário em  algumas situações). O lado perigoso dessa postura é supor que a possibilidade de aperfeiçoamento implica em sempre podermos mudar tudo completamente. Por exemplo, "hoje, ao aplicar meus métodos (que já se mostraram válidos nesse contexto) eu descubro que o mundo funciona de tal jeito, mas amanhã eu posso descobrir métodos que me digam exatamente o contrário". Isso se chama pseudociência. Mas é importante destacar um ponto que ajuda a gerar esse tipo de idéia: a diferença entre conclusão filosófica e trabalho científico.

Um método que já se mostrou válido continuará válido dentro de seu limite de validade sempre e eternamente (bom, talvez se as leis da natureza mudarem...  mas acho que não sobreviveríamos pra verificar...). Já conclusões filosóficas  tendem a mudar com uma freqüência bem maior (quando associamos a ciência à filosofia temos a impressão de que ciência é uma coisa completamente instável, nada confiável, diga-se de passagem). Mas porque isso? Devido à principal característica do método científico, que o diferencia dos outros e o torna especial: sitematização formal (métodos matemáticos). Embora filosofia possa ser feita de maneira sistemática, toda a maneira como ela é construída a torna muito menos confiável, a começar pela linguagem em que ela é expressa: não formal (não matemática). Linguagens não formais são bem mais confusas e limitadas. Como exemplo, analisemos a questão do "início" do tempo.
A seguinte frase pode não parecer absurda, inicialmente, mas formalmente a questão que ela levanta é totalmente descabida: se o tempo teve um início, o que havia antes do tempo?

Antigamente essa era uma questão bastante discutida por filósofos (não me peçam pra citar, não lembro). Se acreditava, inclusive, que o universo era eterno. Mais tarde, devido a descoberta do Big Bang (formalmente, no início), embora inicialmente bastante ridicularizado (esse nome, inclusive, foi dado de maneira pejorativa), a comunidade acadêmica acabou aceitando sua validade (devido a quantidade massiva de evidências) e rejeitando a idéia de que o tempo não teve um início.

Note-se que a concepção filosófica a respeito do universo, dos cientistas (Einstein, inclusive), não era baseada em ciência e definitivamente não era ciência. O que mudou não foi a ciência e sim as conclusões dos cientistas.

Mais um ponto importante que eu gostaria de levantar, é a questão do que significa  um método, modelo ou teoria ser válido. Um modelo válido deve poder fornecer resultados válidos. Um exemplo é o Modelo dos Epiciclos, para as órbitas dos planetas: sabemos que elas não são circulares e sim elípticas, mas o modelo fornecia resultados válidos dentro de um certo limite. Ele era uma aproximação da realidade e continua sendo até hoje. Continua válido dentro de seu limite de validade.

Fugindo um pouquinho desse assunto, há uma questão interessante no modelo dos epiciclos: ele é uma aplicação ruim da Navalha de Occam. A Navalha de Occan diz que devemos optar sempre pelo mais simples (essa é uma maneira de colocar). Sendo assim, parece muito mais simples criarmos um modelo em que as órbitas são circulares e não elípticas, já que círculos são muito mais simples do que elípses. No entanto, verifica-se que o modelo dos epiciclos é muito mais complicado do que o modelo das órbitas elípticas. Isso nos diz algo muito importante e talvez meio óbvio, algo que é localmente mais simples não necessariamente é mais simples globalmente, isto é, quando analisamos o quadro completo.

Bom, acho que por enquanto era isso...sintam-se livres pra comentar, criticar, etc..

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Definições, vida e método científico...

Voltando a falar de definições, há dois conceitos que, embora essencialmente diferentes, apresentam problemas semelhantes na maneira como algumas de suas definições foram construídas. São eles o conceito de vida e o conceito de ciência. Neste post o conceito de vida não será abordado (devido a questões espaciais =p ). A idéia é reservar um post para isso, mas quem tiver interesse em detectar problemas nesta definição, pode começar lendo isso (mais específicamente a parte da definição biológica).

Segundo a wikipédia, "ciência" consiste, basicamente no seguinte:
  1.  Conhecimento adquirido através do método científico.
  2.  Sistema de adquirir conhecimento baseado no método científico.
 Vejamos a primeira definição. De acordo com esta definição, "ciência" é um tipo muito especial de conhecimento, trata-se do "conhecimento obtido através de...". O ponto principal nessa definição consiste em levar em conta a história do que está sendo definido: o conhecimento por si só não basta, é necessário que ele tenha sido obtido através do método científico. Note-se que um mesmo  conhecimento obtido através de métodos diferentes (o método científico e outro método qualquer) pode, nesse caso, ser considerado ciência e não ciência ao  mesmo tempo. Vemos que o que nos permite a identificação é o método e não o conhecimento em si. O único parâmetro necessário em nossa definição é, portanto, o método científico. Qualquer parâmetro acrescentado desnecessariamente provoca perda de eficiência. Aqui entra uma questão muito importante sobre definições: elas devem levar em conta as características do que está sendo definido, e não o histórico. Um exemplo é a entropia (que não é a  medida da desordem), a qual pode ser associada à medida da informação de um sistema, e é representada por uma função de estado. Uma característica muito importante sobre as funções de estado é que a sua variação não depende do caminho percorrido pelo sistema, apenas dos estados inicial e final. Boas definições seguem esse padrão (embora isso nem sempre seja possível). Partindo dessa idéia, podemos tentar reciclar a definição de ciência acima citada, definindo ciência como um conjunto de conhecimentos que tem determinado tipo de comportamento. A partir dessa definição genérica, devemos agora escolher quais os tipo de comportamento nos interessam. Nesse contexto, um tipo de padrão que parece interessante é: como a informação se comporta frente à realidade. O ponto central aqui é o que usualmente chamamos "falseabilidade". Diferentemente do que a palavra sugere, falseabilidade consiste na possibilidade de testar algo, de maneira a verificar sua validade. Podemos definir "ciência" como o conjunto de conhecimentos que passam no teste da falseabilidade. O problema de definir-se ciência com base apenas nesse conceito é que a definição torna-se abrangente demais. Mesmo o ato de informar as horas à alguém consistiria em "fazer ciência", já que o conhecimento adquirido pela outra pessoa seria passível de teste e estaria em concordância com a realidade. Vemos então que é necessário impor mais alguns limites em nossa definição, e esses limites estão diretamente relacionados ao método científico.

Analisemos a segunda definição da wikipédia. Poderíamos encontrar uma definição menos abrangente, mas sem parâmetros desnecessários. Ao invés de utilizar o método científico como um mero coadjuvante na definição, podemos colocá-lo no centro: ciência é o método científico. Essa definição nos permite identificar o que é e o que não é ciência com base em padrões de comportamento (note-se que o conceito de falseabilidade está embutido na definição, embora não seja o único parâmetro): que tipo de comportamento devemos esperar de um método para que ele possa ser considerado ciência? Qual a sua eficiência frente a outros métodos? em outras palavras, ao aplicar o método científico sobre uma quantidade inicial de informação qual o resultado obtido, e qual a diferença deste em relação aos resultados obtidos através do uso de outros métodos?

Essa definição aparentemente é mais adequada: suficientemente compacta, e genérica na medida certa.

A partir da definição de ciência, podemos então definir o que é pseudociência: toda e qualquer coisa, além do método científico, propagado como se fosse ciência. Sendo assim, uma pseudociência pode ser um fato ou não, pode ser falseável ou não. Por exemplo, se eu digo que um átomo de hidrogênio possui um elétron e afirmo que esse conhecimento é ciência, estou fazendo disso uma pseudociência, pois trata-se apenas de um conhecimento referente ao átomo de hidrogênio (lembrando que definir ciência como "conhecimento" é problemático).

É interessante, nesse ponto, analisar o que torna o método científico tão eficiente, e muito mais confiável do que a maior parte dos outros métodos de pesquisa (puramente experimentais, sem análise estatística, por exemplo, lembrando que estes não devem ser confundidos com a parte experimental do método científico). O grande salto da humanidade em termos de metodologia foi descobrir métodos que permitissem uma espécie de libertação da filosofia pura, possibilitando a construção de modelos e teorias de tal modo que estes pudessem caminhar por conta própria, sem terem de ser carregados, a todo instante, pelas filosofias de seus autores. O diferencial destes métodos sobre todos os outros de que se tem conhecimento, desde os primórdios da humanidade, consiste no uso explícito da matemática; mais do que uma nota de roda pé, o "core". Como bons exemplos de cientistas que usaram pesadamente o método ciêntifico, de maneira muito bem sucedida, podemos citar Hamilton, Maxwell, Gauss, Riemann e Lorentz. No século XIX, Hamilton, além de suas inúmeras contribuições à mecânica clássica e à óptica, formalizou (não sozinho) o chamado "princípio da ação mínima", ou "princípio da otimização", um dos princípios mais fundamentais da natureza, o qual é utilizado em todos os ramos da física (relatividade, mecânica quântica, eletromagnetismo, etc..). No mesmo século Maxwell desenvolveu uma das teorias mais brilhantes de todos os tempos, a Teoria Eletromagnética (unificou o Magnetismo e a Eletricidade através de quatro equações, as quais podem ser representadas por apenas duas que descrevem todos os comportamentos eletromagnéticos da natureza) a qual permitiu a descoberta da velocidade absoluta da luz, bastante desconcertante na época. É importante notar que a teoria de Maxwell não era um conjunto de filosofias e sim as próprias equações, caso contrário é bem possível que o éter luminífero fizesse parte da teoria. Ainda no século XIX Riemann, um matemático, generalizou os trabalhos de Gauss que resolviam o problema do quinto postulado de Euclides, problema este que deu muita dor de cabeça aos matemáticos por séculos. Os cinco postulados de Euclides, propostos por volta do século V a.C, geram a chamada Geometria  Euclidiana (na qual não existe curvatura). O quinto postulado, o qual pode ser formulado de muitas maneiras, diz basicamente que retas paralelas nunca se cruzam. O problema dos matemáticos era descobrir se esse quinto postulado realmente trazia algo de novo ou poderia ser descartado sem alterar o sistema. Gauss descobriu, assim como alguns outros matemáticos da época, que esse postulado realmente restringia o sistema, e a sua eliminação gerava outros tipos de geometrias, com curvatura constante. Riemann generalizou os trabalhos de Gauss e descobriu as geometrias de curvatura não necessariamente constante: as chamadas Geometrias Riemannianas, das quais a Euclidiana é um caso particular, em que a curvatura é nula. Mais tarde Einstein, no contexto da Relatividade Geral, descobriu que o espaço-tempo em que vivemos é curvo (Geometria Semi-Riemanniana) e que a gravidade é resultado dessa curvatura.  Por último, podemos citar Lorentz, físico que desenvolveu as chamadas Transformações de Lorentz, essenciais à Relatividade Restrita, além de outros inúmeros trabalhos.

Todos estes cientistas trabalharam brilhantemente utilizando extensivamente o método científico. Ao analisar, mesmo que superficialmente, seus trabalhos, encontramos um padrão: suas teorias eram constituídas de estruturas matemáticas. Obtemos assim, pistas sobre o que torna uma teoria eficiente, e como podemos definir "Teoria Científica" e "Método Científico". Obviamente, a parte experimental do método científico também tem papel muito importante, pois é através dela que podemos avaliar a validade de nossos métodos, modelos e teorias (como foi o caso dos trabalhos citados acima). Mas ela, por si só, não possui a eficiência do método científico completo, da mesma maneira que correr com apenas uma perna tende a ser menos eficiente do que com duas (embora seja mais  eficiente (em princípio) do que correr sem pernas, apenas se arrastando - a filosofia da ciência se encaixa nesse último caso).

O século XIX, porém, não foi marcado apenas por descobertas através do uso do método científico, mas pela descoberta de Darwin, bastante surpreendente, de mecanismos evolutivos básicos, embora seus métodos de pesquisa constituissem um atraso em relação aos métodos da época (e mesmo de séculos anteriores-vide Newton e Galileu), o que torna a descoberta ainda mais supreendente. Do ponto de vista filosófico e no que diz respeito à coleta de dados, Darwin fez um trabalho impressionante, deu um dos passos iniciais no estudo de como a natureza, mais especificamente os seres vivos, se altera com o tempo (apesar do não-uso da parte experimental do método científico). Depois de seu trabalho muita pesquisa tem sido desenvolvida nessa área, muitas delas auxiliadas pelo método científico. No entanto, ao que parece, a teoria de Darwin ainda não foi formalizada. A formalização da teoria nos permitiria analisar mais claramente como os postulados se relacionam com outros temas referentes à evolução, como por exemplo a possibilidade da origem através de um único ancestral e a própria origem da vida (não apenas a idéia intuitiva da relação entre esses temas).  Do ponto de vista científico esta formalização é indispensável. Uma de suas vantagens é a de  facilitar a análise quantitativa das evidências. (Note-se que embora os mecanismos evolutivos sejam comprovados, fatos, a análise crítica aqui não deixa de ser fundamental: é ela que nos permite aprimorar nossos métodos e modelos, e não implica necessariamente em descartá-los. A eliminação da "visão crítica" garante a estagnação de uma pesquisa. Sempre (ou quase?) é possível analisar fatos criticamente, afinal é isso que nos permite obter informações úteis a partir deles. Esse comentário refere-se a comentários que leio de vez em quando, os quais sugerem que não podemos analisar criticamente fatos, tais como a gravidade por exemplo, e que isso implicaria em substituí-la por alguma alternativa mirabolante).

Resumindo, definir ciência como conhecimento pode gerar contradições, e mesmo que não o faça não é uma definição otimizada. A definição mais adequada para ciência é: método científico. Qualquer coisa além disso, propagada como ciência, passa a fazer parte do grupo das pseudociências. A base do método científico não é a filosofia, é a matemática (mesmo na parte experimental).

Devemos lembrar sempre que não existem pessoas neutras, e sim métodos neutros. Eis a importância do uso do método científico. Embora o uso de  linguagem formal não garanta a infalibilidade de uma teoria, ele facilita a  verificação neutra.

Já dizia Galileu, um dos pais do método científico, há quase 400 anos atrás:

"La filosofia è scritta in questo grandissimo libro che contianuamente ci sta aperto  innanzi a gli occhi (io dico l'universo), ma non si può intendere se prima non s'impara a intender la lingua, e conoscer i caratteri, ne' quali è scritto. Egli è scrito in lingua matematica, e i caratteri son triangoli, cerchi, ed altre figure geometriche, senza i quali mezi è impossibile a intenderne umanamente parola; senza questi è un aggirarsi vanamente per un oscuro laberinto." (Saggiatore - Galileu Galilei, 1623)

Tradução: "A filosofia [note-se que a 'filosofia' a que Galileu se refere equivale ao que chamamos de 'Física', atualmente] está escrita nesse grandioso livro que  está sempre aberto a nossa contemplação (refiro-me ao universo), mas que não pode ser entendido sem que primeiro se aprenda a língua e conheçam-se os caracteres com os quais está escrito. Ele está escrito em linguagem matemática, e seus caracteres são triângulos, círculos, e outras figuras geométricas, sem as quais é humanamente impossível entender sequer uma de suas palavras; sem estes fica-se a vagar por um escuro labirinto."