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domingo, 13 de julho de 2025

"Meticuloso"

Da série de postagens com conteúdo semi-aleatório, divagantes. 

Acho divertido como, conforme vai passando o tempo, a gente tende a ir criando expressões e termos, em conversas com amigos, que só fazem sentido por conta dos contextos em que os termos surgiram. Hoje, o termo que trago é "meticuloso", que não tem nada a ver com o sentido do dicionário.


Esse termo surgiu quando ainda estava em Teixeira, em conversas pseudo-filosóficas com o Pepe. A gente estava conversando sobre aquarelas e efeitos de luz nas aquarelas. Pepe fez alguns comentários que me fizeram pensar em um monte de coisas, criar um monte imagens, na minha cabeça. Na hora de traduzir em palavras, eu disse umas 2 ou 3 coisas. Logo depois, aconteceu de novo a mesma coisa, com eu dizendo mais ou menos o mesmo que antes. Achei a situação engraçada. Comecei a tentar explicar pra ele esse fenômeno: "... sabe quando você tem um universo de coisas na cabeça, e na hora de traduzir vira...", e ele disse, com a maior naturalidade, "meticuloso".  

Então, hoje tenho um nome pra esse fenômeno, que me acontece com uma certa frequência. "Meticuloso" é essa perda de informação na hora de traduzir o universo de coisas da cabeça para palavras. Tinha ficado de pintar esse conceito. Hoje, finalmente, terminei de pintar (depois de meses)!


sábado, 28 de junho de 2025

Aquarela: A Arte do Caos

Aqui, tava tentando aprender técnica de fazer gotinhas

Esse blog é a minha miscelânia pessoal caótica da vida, do universo e de tudo o mais. Então bora falar dessa forma de pintura que te faz aceitar que controle é uma ilusão, e que aprender a trabalhar a falta de controle sobre as coisas pode ser uma arte XD. 

Aquarela é essa forma de pintura que envolve tintas à base d'água e, obviamente, água. Você consegue diferentes efeitos, dependendo da proporção de água e tinta que você usa, além das diferentes técnicas (e o que não faltam são tutoriais no youtube). 

Sempre tive um pouco de birra com seguir à risca técnicas pros meus hobbies. Acho, na verdade, que isso tem mais a ver com eu ter dificuldade de prestar atenção e lembrar dos detalhes do que qualquer outra coisa. A aquarela me ajudou um pouco a lutar contra essa birra, já que ela não é uma forma de pintura muito intuitiva (pelo menos não pra mim). Outro

aspecto que me faz amar e odiar a aquarela, é a aletoriedade envolvida. A aquarela tem alguns elementos meio de "vida própria", especialmente nas pinturas, ou etapas da pintura, que envolvem mais água. A beleza da aquarela está em tentar usar isso a seu favor. Olha aí as metáforas pra "arte de viver": aprender a lidar com o caos e aleatoriedade da vida, e usar isso a seu favor, se possível. Juro que nem tinha pensado nisso quando comecei a escrever esse post.


Ano passado foi o meu ano das aquarelas. Estava morando em Teixeira de Freitas, e passando por umas fases meio conturbadas, emocionalmente. Gostava de pintar aquarelas coloridas e pendurar na

parede, porque coisas coloridas me deixam mais feliz. Acabou sendo uma mistura de tentar me expressar, jogar cor no ambiente e guardar algumas recordações. Detalhe é que algumas das minhas tintas são neon e brilham na luz negra, o que acabou me fazendo viciar em usar tinta neon e tentar criar efeitos pra ver elas no escuro, à noite, com luz negra XD.

Esse ano, morando em Porto Alegre, não tenho onde pendurar minhas aquarelas, e isso acaba me desmotivando um pouco de pintar.  Maaas, quero tentar voltar a pintar, pelo menos um pouquinho. Então, vou deixar registrado aqui as minhas principais aquarelas.

Adorava assistir o pôr-do-sol do quintal da minha casa...
tentei criar uma recordação disso
Aquele clichêzinho básico... mas acho que todo mundo que viver
o suficiente vai ter o seu...


Minhas gatinhas amadas



That lingering feeling
decorações natalinas
Decorações natalinas

Minha personagem de D&D, druida (obviamente). Atualmente ela tem uma simbiose com
uma entidade que é um fungo senciente. 


Fiz essa esse ano, de aniversário pra Rô. Consegui entender a dificuldades que as
IA's tem em desenhar mãos... 



Sobrinhos doguíneos

Pra mais informações inúteis, ou não sobre a minha vida o universo e tudo mais, não dê joinha e não compartilhe, mas pode deixar seu comentário (mensagem pros um ou dois leitores assíduos que meu blog possa ter XD). 

quarta-feira, 18 de junho de 2025

Nostalgias

Nostalgia... esse combinado de sensações que te carrega de volta pro passado (ou pra um futuro que você não viveu ainda, mas isso é outra história). Adoro essa coisa de guardarmos memórias em cheiros, músicas, gostos, e mais um monte de outras sensações que a gente às vezes nem sabe descrever. Eu sinto que memórias, especialmente memórias significativas, têm uma espécie de "impressão digital" de sensações que descrevem elas. Pra mim, a nostalgia, no caso dessas memórias, é como "vestir" esse conjunto de sensações.

Eu costumava caminhar à noite no condomínio em que morava, em Teixeira de Freitas. Lembro que, frequentemente, a sensação do ar da noite, a sensação de olhar as estrelas, os cheiros do ambiente, e mais uma série de pequenas coisas, me jogavam pra dentro de memórias de infância, em Taquara. É aquela sensação gostosa e triste. Triste pois envolve uma realidade (incluindo pessoas) que agora só existem na nossa memória. Ao mesmo tempo, acessar essas realidades via memórias é muito melhor do que não poder acessar de jeito nenhum (quando as memórias são boas, claro). Por falar em Teixeira, saudades da casa que eu morava lá, das minhas gatinhas e de morar perto do Pepe, um dos meus melhores amigos. Porto Alegre me dá claustrofobia. Maaas, todos os lugares têm seus problemas e suas qualidades. Daqui a uns meses vou pra Marseille, na França, reclamar da cidade enquanto como baguette XD. 

Voltando pro assunto principal, as músicas são uma maneira extremamente eficiente de guardar memórias.  Engraçado que tem algumas músicas que parece que nos acompanham a vida toda, ou por muito tempo. Uma dessas músicas, pra mim, que guarda muitas memórias, de épocas diferentes, é "Losing my Religion", do R.E.M. Eu ouvi essa música pela primeira vez (até onde eu lembro) quando tinha 11 anos, na praia. Tínhamos ido eu e minhas irmãs, minha tia (da mesma idade), minha prima, e meus avós. Lembro que os vizinhos ficavam ouvindo essa música bem alto, e eu as gurias ficávamos tentando cantar junto. Lembro que a gente cantava, de zoação "a torta era grande e leve, a torta era grande sim", na parte "I thought that I heard you laughing, I thought that I heard you sing"...aiai. A melancolia dessa música sempre me atraiu. Quando comecei a tentar aprender a tocar violão, foi uma das principais que quis aprender. Já me identifiquei com ela em situações diferentes, por razões diferentes. Quando estava passeando pelo centro de Roma, tinha um cara tocando essa música, o que me fez associar essa música a essa memória também. E claro, depois disso voltei a fazer outras associações. Adoro essa música.




Falando em músicas e memórias, nos meus últimos meses em Teixeira, aumentei a regularidade das minhas caminhadas à noite e, frequentemente, ouvia músicas ou podcasts enquanto caminhava. Uma das músicas que eu associei fortemente a essa época foi a "Jericho", da Iniko. Acho maravilhoso os efeitos sonoros todos dessa música, e algumas partes da letra me lembravam um pouco as ideias de "imaginário coletivo" e "inconsciente coletivo" (com uma interpretação bastante poética, digamos assim), que era um assunto recorrente com o Pepe, e em vídeos do Jordan Peterson que às vezes eu assistia/ouvia. Parte da minha inspiração pra primeira poesia que fiz esse ano veio dessas coisas.